12/10/08
O menino doente

Andorinha lá fora está dizendo:
— "Passei o dia à toa, à toa!"
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa . . .
Gosto da grandiosidade/qualidade de Drummond, de Cabral de Melo e sua crítica social, da simplicidade de Mario Quintana. Mas tenho carinho especial/ amor declarado a um pernambucano de nascimento:
– "Entre, Manuel. Você não precisa pedir licença". Manuel Bandeira, o meu poeta, meu Arquiteto falhado. A beleza, a inteligência, a graça… Prosa e verso nos fatos corriqueiros, na delicadeza irônica/ nos problemas de saúde.. um desencanto!!
Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
Eu faço versos como quem morre.
Estrela da vida inteira,
Da vida que poderia
Ter sido e não foi. Poesia,
Minha vida verdadeira.
Manuel Bandeira
criado por amadurecencia
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